terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Na Riviera Francesa

Nice é praticamente o centro da Riviera Francesa, a famosa Côte D'Azur. Uma bela cidade, grandiosa, destino preferido da gente rica da Europa e do mundo, que curte o verào em suas praias, de pedra, mas badaladas. Delicioso caminhar por suas ruas e avenidas, com suas decorações e arquitetura opulentas, inclusive no centro antigo, e deixar-se levar pelos cheiros e coloridos das barracas de artigos típicos, nas ruelas que parecem náo ter fim.

Os cassinos e os hotéis mais elegantes, ficam na orla... 

...onde o imenso calçadão é um convite ao passeio





O charme do colorido nos prédios do centro antigo...



 ...com suas ruelas bucólicas


Mas a praia...somente de pedras e pedras (bolotas na verdade) cinzas, em toda a extensáo.

E...(vejam a elegância!) um lounge em plena praia, com tapete e tudo! 

Espantoso, em toda aquela área, é ver as montanhas apinhadas de mansões e imaginar o tanto de pessoas que vivem nas colinas da costa francesa. Ali e em todas as cidadezinhas onde passamos ao sair de trem da cidade, as colinas sáo completamente tomadas - Cagne Sur la Mer, Mougins, Mônaco  - onde não conseguimos ir - e dezenas de outras ao redor de toda a costa.  

Chegamos a Nice num fim de tarde. No dia seguinte ainda conseguimos andar e conhecer um pouco a cidade. Mas antes que o dia terminasse - e sempre muito cedo, por volta das 5 da tarde já escurece por aqui - começou uma chuva que náo parou mais, até o momento de irmos embora. Mas mesmo assim deu pra perceber que Nice é uma cidade muito gostosa, com pessoas gentis, que só falam o francês - inglês, muito pouco. (De novo, o que me salvou foram as aulas "expressas" onde minha querida amiga Denise Perez me deu noções básicas de como me virar na França).



(Olha só: em Nice encontramos à venda os pinheiros do tipo que vimos sendo cortados lá no comecinho da viagem, nas montanhas de Morvan, na Borgonha)

A decoração de Natal em Nice estava linda. Assim como em todas as cidades da Riviera francesa por onde passamos, como pudemos ver quando voltamos de ônibus da visita a Grasse, a capital do perfume. Ali se produz perfumes e as essências utililizadas na maioria das colonias e perfuns fabricandos na França. Grasse - uma cidade grande também - como fiquei sabendo, é a cidade onde Edith Piaf passou os últimos anos de vida e fica a cerca de 40 km de Nice. Fomos um dia lá, mas a chuva intermitente náo nos animou a conhecer muita coisa. (Devido a problemas com o trem, conseguimos chegar a Grasse só no meio da tarde). Vimos o museu de uma das fábricas, a Fragonard, e - claro - a sua loja na sequência da visita. Depois fomos ao Museu do Perfume, onde conhecemos principalmente tudo o que já se usou em frascos, flaconetes e caixas para se embalar perfumes ao longo da história, em todos os materiais possíveis, do vidro à prata, do alabastro à porcelana. Ali se conhece bastante sobre essências, olfato, etc. Visita que vale a pena, sobretudo se tiver chovendo como naquele dia. Mas a volta de Grasse foi meio atemorizante. Pegamos o ônibus, lotado de estudantes locais e já acostumados ao trajeto, no ponto mais alto da cidade. Dali o veículo foi descendo em caracol, numa velocidade considerável, pelas curvas ao redor da montanha, e parando vez ou outra para deixar ou apanhar pessoas.(Quando chegou lá embaixo, confesso que senti um alívio.)



Graciosa e muito bem denominada, a cidade de Grasse se caracteriza ...

...pelas ladeiras que parecem náo ter fim. Esse mesmo mau tempo nos manteve em Nice no dia seguinte, o que nos impediu de conhecer Mônaco e St Paul de Vence, tão bem recomendado pelas amigas Mara e Tânia.


Em Nice, o Papai Noel logo na entrada ja anuncia que a cidade
está bem preparada para o Natal...



...como a bela decoração que toma conta de todas as ruas centrais.





O espetáculo das luzes no centro antigo, bonito, mesmo sob a chuva...


alternando a cor das fachadas nos prédios







 Deixamos Nice em direção a Vintemiglia, já na Itália. A viagem de trem é belíssima: ora se viaja ao redor das montanhas, ora pela orla ao longo do Mar Mediterrâneo, ora em túneis - em boa quantidade.  De Vintemiglia seguimos para Gênova e depois para Miláo, numa viagem que nos deixou espantados pela quantidade de neve que ja existia ali.


Em Nice, pudemos experimentar vários pratos da culinária mediterrânea, sempre a base dos peixes locais, principalmente o salmáo. São comuns as sopas de peixe nos cardápios, a pissaladière (um tipo de pizza com massa mais densa); os crepes e os molhos a poivre vert, além dos croque monsieurs (lanche típico com páo de forma, queijo e presunto)




A salada Niçoise em sua terra de origem: alface, endívias, cebolas, rabanete, pepino,tomate  pimentáo vermelho e azeitonas. Tudo finalizado com boa porção de atum e filetes de aliche.



 Um Crepe Complete, típico na região: queijos, presunto, cogumelos e ovo. Vale por
uma refeição.

-----OOO000OOO-----

domingo, 16 de dezembro de 2012

Natal em Aix

Em nossa última passagem por Aix en Provence, ja a caminho de Nice, de onde sairíamos para a Itália - penúltima etapa de nossa viagem - me chamou a atenção a graça e capricho com que "todos" os comerciantes enfeitam fachadas e entradas, além das vitrines, de suas lojas para o Natal. No pouco tempo que tínhamos ali, registrei algumas dessas decorações. 








E foi com a imagem das decorações e essas outras duas, abaixo, que dissemos adeus à Aix. A dos plátanos já completamente nus pela aproximação do inverno...


...e a comovente presença da Ste Victoire, a "montanha branca" que tanto inspirou o pintor Paul Cezanne, como ja falamos há algum tempo neste blog. (Mas sobre Aix, ainda temos muito que falar aqui..rsrsr)


-----OOO000OOO-----

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um olhar sobre o "Porto"


Embora estejamos em Nice, na França, iniciando a última etapa de nossa viagem, náo quero deixar de comentar sobre a Cidade do Porto, que me impressionou bastante.



Ter criado o incomparável  "Vinho do Porto" ja dignifica a cidade perante muitas outras ao redor do mundo.  Agora, ter buscado soluções táo interessantes - e monumentais - em diferentes épocas, numa geografia tão complicada, faz da Cidade do Porto um local realmente inusitado. Debruçadas sobre o rio Douro, as fachadas coloridas formam uma paisagem deslumbrante, emoldurada por torres de igrejas medievais. Mas escondem uma realidade difícil. A cidade do Porto arca com um patrimônio histórico e cultural  - da humanidade, designado pela Unesco - que, apesar de belíssimo, é de dificil gestão, pois boa parte dos edifícios grandiosos construidos há séculos não se incorpora ao ritmo atual e acaba se prestando à sub-habitação. 


A ferragem e detalhes na arquitetura das fachadas marcam as construções do século 17

 
A partir de Gaia, deste lado, pode-se ver o Vale da Ribeira,
 local dos mais agitados do Porto



Uma das seis pontes que ligam a cidade, acima do Douro, localizado num ponto incrivelmente mais baixo



O Vale da Ribeira, com os arcos onde se instalam boa parte dos restaurantes, e onde tudo acontece - inclusive os cruzeiros pelo Douro (abaixo)



O passeio pelo rio, apesar de um pouco monótono, mostra toda a extensão da encosta do Douro até o seu encontro com as água do Oceano Atlantico.



Duas coisas muito comuns na Cidade do Porto: as roupas nos varais das fachadas e o azulejo azul portuguës decorando casas e monumentos.
  
Chegamos à Porto um dia antes do programado, uma sexta-feira à noitinha, porque uma greve geral previa desativar o transporte de trens no sábado. Só incluimos a cidade no roteiro  porque de lá faríamos um voo de volta a Marselha, no sul da França. Assim, não estava no programa visitarmos qualquer adega ou vinícola, apesar do apreço pelo vinho.
Escolhemos um hotel no centro mais afastado, pois queríamos a comodidade de um espaço maior. Mas o city tour, que vale a pena, nos levou aos pontos principais. A reserva foi feita no próprio hotel para dois dias. Assim, pudemos conhecer os locais desejados, utilizando as inúmeras paradas do ônibus em toda a cidade.
Detalhe: o Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, do Porto, é super moderno e funcional, com um sistema excelente de atendimento. E possui várias lojas, inclusive de vinhos, para as compras de última hora - que não puderam ser feitas na cidade - com preços até bem razoáveis.



No centro comercial, a arquitetura clássica, de uma das maiores cidades de Portugal



A beleza das Igrejas decoradas com a arte dos azulejos. Preservadas...



...mas necessitando de maiores cuidados, como grande parte dos monumentos em Portugal.

Experiência Gastronômica?

Come-se muito bem na Cidade do Porto, assim como em Lisboa, pratos de bacalhau, peixes e frutos do mar. Vínhamos de Lisboa e assim que chegamos resolvemos conhecer o centro histórico, às margens do Douro. Tudo praticamente fechado. Perguntamos a um garçom que recolhia cadeiras de um espaço externo no Vale da Ribeira, se estavam fechando. "Sim, mas podemos atendê-los la dentro, pois a cozinha fecha às 23 h". Assim é que chegamos ao Chez Lapin. De início, uma surpresa: desciam, pendurados no telhado, chaleiras, chapeús, pandeiros (inclusive do Brasil), gatos de pelúcia, bengalas, cabaças e outros objetos bem inusitados. Mas o local era bem aconchegante.


 Assim que nos sentamos, no salão minúsculo, vejo uma foto da Regina Duarte abraçada ao chef de cozinha de anos atrás. Pedimos "pastel" (bolinho) de bacalhau. Nem parecia ter sido frito em óleo - de táo sequinho e crocante. Pedimos alheira - embutido típico de alho, frango e páes, porque a garçonete nos recomendou "apenas uma dose" de bacalhau para os  dois. Sensacional a alheira e o bacalhau, que veio depois. Tive a certeza de que estava em um dos melhores restaurante do Porto. Fomos a outros depois. Mas o Chez Lapin é incomparável. Voltamos para provar o polvo - especialidade máxima da casa, que os espanhois por ali adoram.



O polvo, que de táo bom quase nem sobra para a foto (rsrsrs)



E a fachada do Chez Lapin, embutida num dos arcos do Vale da Ribeira à rua dos Canastreiros, 42-44.

Outro restaurante que vale ser experimentado no Porto é o Capa Negra, próximo ao hotel onde ficamos hospedados, à rua Campo Alegre 191 - no Campo Alegre. Entre os pratos mais apreciados, a especialidade maior do Capa Negra são os lanches Francesinha,
 típicos da Cidade do Porto.


                                                           -----OOO000OOO-----




























quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Igrejas e fé na Europa

Passeando pelas ruas planas de Nice, no litoral sul da França hoje pela manhá, entramos, como é de costume, numa igreja do centro antigo. Simples, como a grande maioria das que visitamos por aqui, oferecia  cadeiras comuns de madeira, não tinha muitas imagens nem ornamentos. Na penumbra, ao som de cânticos gregorianos - também como praxe aqui na França -  várias pessoas faziam suas preces, muitas num momento de pausa durante o dia. Senti então vontade de escrever um pouco sobre minhas impressóes a respeito da religiosidade aqui na Europa.
 Sempre soube que tanto na França como em Portugal, países onde passamos a maior parte desta vez - além da Itália - a grande maioria é católica. Mas nesse período, visitando tantas igrejas, de todos os tipos, nos vários países, pude perceber um pouco mais sobre essa prática. 



 A Catedral de Bruxelas (a esquerda) que visitamos logo no início e a sóbrea Igreja de São Pedro, em Glacey, que Camila frequenta, com uma comunidade bastante ativa.

Em Paris, logo no início da nossa viagem, chamou minha atenção, particularmente, a presença dos jovens num fim de tarde de quinta feira na Catedral de Saint German. Escolhemos a igreja para esperar a Carolina sair da aula na Sciences Po por volta das 18 h, ali pertinho, e juntar-se a nós. Quando chegamos á igreja, ja estava ali um coral de jovens, cantores e instrumentistas, que nos chamou a atenção pela alegria e descontração das moças e rapazes - um deles sempre regendo o grupo, em revezamento. Aos poucos as pessoas foram chegando para a missa. E, para surpresa, a grande maioria era jovem - muitos - ao final do expediente de trabalho e escola...Seria uma missa de jovens???  De qualquer maneira, aquela imagem ofereceu uma dimensão nova à minha idéia sobre religiosidade na França. Algumas semanas depois, na Borgogne, tivemos aquela belíssima surpresa da peregrinação dos escoteiros em Vezelay, como já contei aqui, cuja imagem vale repetir.


Cerca de 2.500 mil jovens, escoteiros de diferentes partes da Europa, na peregrinação de novembro na Basílica  de Vezelay, na Borgogne.

Nas cidadezinhas da Provence, na maioria das vezes, as igrejas estão no centro dos lugarejos visitados e, principalmente no alto dos morros ou colinas (será a manifestação de que "Deus está acima de tudo"?). É muito gostoso ter acesso a elas - e dedicar alguns momentos de oração, na calma e tranquilidade que sempre proporcionam. Mas, muitas vezes estão fechadas e deixamos de conhecer o interior - ou, inúmeras outras vezes, a atmosfera de reflexão é táo intensa, que não ousamos perturbar a calma na penumbra com o ruido da câmera.(Curioso notar que, mesmo nas igrejas grandiosas e com muitas obras de arte, como algumas visitadas em Portugal desta vez, nunca há impedimento para se fotografar). 

Um desafio: quem consegue encontrar a Igreja na foto? Essa, infelizmente, não conseguimos visitar, em Castellane, próximo ao Gorges de Verdon, na Provence - sobre o qual ainda vou contar.

Em Aix-de-Provence, onde ficamos a maior parte do tempo, assim como em todas as cidadezinhas que visitamos na região, os relógios das igrejas sempre estão funcionando e anunciam o passar das horas todo o tempo - não nos deixando esquecer que, além de relógios, temos igrejas. E, em muitas delas, os próprios campanários anunciam o meio dia e a "hora da Ave Maria", ás 6 da tarde, em chamados para a reflexão. A bela Igreja de São Domingos, em estilo gótico, no centro antigo de Aix-en-Provence, celebrava também cerimônias fúnebres durante o dia. ( Permanecemos tanto tempo naquela região e, grande falha, deixei de fotografar essa bela igreja.)  



   Igreja típica de Aix en Provence(esquerda); o belo painel da Madona em Arles (acima) e a catedral de  Bouc-in-Bel-Air, construida sobre grande pedra, no centro da cidade.

 
En Lyon, a magnífica Catedral de Nossa Senhora na montanha mais alta, que pode ser avistada de qualquer ponto da cidade.

Após a subida, com o funicular, o encontro com a bela fachada ...



...e o interior, onde se vê a restauração da estrutura, feita por toda a comunidade.



Na bucólica Coudoux, na Provence, onde visitamos uma cooperativa de azeite,
a pequena Igreja aberta...


...para compartilhar a luz que emanava do altar mor naquela manhá.



Em Marselha, a Catedral tão magestosa, num ponto táo elevado, era uma imagem intrigante que nos acompanhava em qualquer parte da cidade...

...até conseguirmos nos aproximar e ficarmos deslumbrados com sua beleza interior...



...nas pinturas e nas composições em mármore bicolor.



Na mesma Marselha, a Igreja de La Mayor, ao lado do porto velho, em mámore verde e branco...


...acolhia quem chegasse, com bandeiras de diferentes procedências.

Sempre que chegávamos a uma dessas igrejas localizadas em montanhas táo elevadas,  uma idéia nos vinha à mente: com quanto sacrifício, de tantas pessoas, náo teriam sido construidas? Por que a escolha de locais táo difíceis, para uma obra tão grandiosa? Seria este o tamanho do amor, a dimensáo da fé? A verdade é que, em todas, das mais simples às mais belas, a demonstração de fé e a presença divina são sempre tão sensíveis, que essas visitas nos deixam muito renovados. 

(Ainda vamos mostrar as igrejas de Espanha e Portugal)

-----OOO000OOO-----