sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

No Santuário de Fátima




A promessa de tempo bom nos motivou para a viagem a Fátima, na segunda-feira. Embora tivéssemos partido cedo do hotel, chegamos somente a tardinha no santuário - a tempo de assistirmos à missa das 16,30 h. Mas se tivéssemos feito o passeio por nossa conta, como sempre preferimos, essa visita teria sido feita com mais calma. É que o roteiro incluiu uma visita rápida a várias cidades, bem interessantes até, da regiáo de Lisboa (Obidos, Alcobaça, Nazaré e Batalha). Mas, ao final, esperamos o dia todo para chegar muito tarde aonde era o nosso principal alvo. 
O imenso páteo em frente ao Santuário estava praticamente vazio, fora de temporada e de eventos significativos na cidade. Mas a calma e o silêncio contribuiram para absorvermos  ainda mais uma energia muito especial que parece se desprender de tudo ali. Vário padres concelebravam a missa diária. E a mensagem de luz, propondo a salvação mediante a fé , contida na aparição da Virgem aos pastores, é reforçada durante toda a cerimônia.


No local da Cova da Iria, onde hoje há uma capela, a imagem de Nossa Senhora de Fátima transmite paz e devoção. Algumas pessoas cumprem promessas.



A mensagem na imensa faixa, escrita em varias línguas, chama a atenção logo na chegada.




Agradecemos pela imensa graça de estarmos ali - e pedimos proteção e paz, com mais compreensáo no mundo. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Belem das navegações.(E dos pastéis)



Nossa ansiedade para explorar Lisboa é grande. Vamos a Belém, setor de Lisboa onde se concentra a maior parte das referências históricas das navegações e conquistas dos portugueses. Entre todas, a principal é a Torre de Belém, antigo forte, considerada uma obra prima da arquitetura marítima, que recebe as ondas do Oceano Atlântico desde 1519, quando acabou de ser construida, no reinado de Dom Manoel - portanto há quase 500 anos.
Para chegarmos a Belém a partir do centro, pegamos o "eléctrico" como é chamado pelos portugueses o veículo semelhante ao metrô, de superfície, e descemos em frente ao Mosteiro dos Jerônimos. A bela área se extende até onde a vista alcança pelo rio Tejo, onde se vê monumento aos Navegadores, Museu dos Combatentes, Doca de Bom Sucesso...Mas ali tem também os verdadeiros Pastéis de Belém - com certeza a delícia mais típica de Lisboa.


                                        



     Detalhe da fachada da Igreja do Senhor dos Passos, no Mosteiro, em estilo Manoelino, obra monumental que levou mais de cem anos para ser concluida, a partir de 1501, por Dom Manoel. Nessa Igreja estão os túmulos de Camões, autor épico de Os Luzíadas, e do navegador Vasco da Gama, quem abriu o caminho das navegações para as Índias.



A Cruz de Malta, símbolo constante das navegações portuguesas, está impressa no imenso parque entre o Mosteiro (ao fundo) e o Rio Tejo.



O Rio Tejo, com a Ponte 25 de Abril ( ex-Salazar), similar à Golden Gate, mas com três km de extensão para ligar aquele ponto à cidade de Almada e outras em direção ao Alentejo.



 O monumento aos navegadores, com Vasco da Gama (o mais célebre) a frente de todos.

O monumento, que remete a uma caravela, das usadas pelos navegadores.


Os barcos na Doca Bom Sucesso e o delicado colorido das construções ao fundo.

Os (verdadeiros)  Pastéis de Belém 

Desde que provamos os Pastéis de Belem, temos ido quase todos os dias saboreá-los novamente. Para nós esses sáo os melhores entre as dezenas de doces, sempre tentadores, que os portugueses chamam de "conventuais"- aqueles criados nos conventos para aproveitamento das gemas, cujas claras de ovos eram usadas para engomar os hábitos religiosos

 
No domingo, as filas pelo famoso pastel se mantinham por todo o dia em frente a loja...
 



...que esconde seis salóes internos para servir os pastéis e outras delícias.


Consta que os segredos da receita dos Pasteis de Belem sáo mantidos sob sigilo absoluto pelas sucessivas gerações dos proprietários, desde 1837, quando a loja foi criada. Mas depois de se provar os Pastéis de Belem verdadeiros...os outros náo existem mais. Ali, podem ser degustados fresquinhos, ainda quentes, vindos da cozinha que funciona por mais de dez horas diárias, para produzir, como dizem, os cerca de 20 mil pastéis nos dias normais e 40 mil nos finais de semana. 



Das assadeiras, os pastéis váo diretamente à mesa, para enlouquecer o paladar.
(Ah! nos ensinaram que para escapar da fila, a dica é entrar por uma outra porta e escolher uma mesa num dos seis salões onde garçons servem delícias portuguesas o tempo todo. O preço de um pastel? Nada mais que 1,10 euros. (Impossível comer um só).

A base em massa folhada fina, quentinha e crocante, sustenta o creme de ovos com textura e sabor únicos - aquecendo o paladar e a alma. 

Outra delícia



As vitrines das "pastelarias" onde se vendem os doces e pães de todos os tipos, ostentam as mais variadas e deliciosas criações. Valeu a pena experimentar a Queijada da Madeira, espécie de brioche com massa mais seca e fica, recheado com doce (tipo do nosso beijinho) de coco.


O Bolo Rei:  o sucesso da temporada de Natal
 


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Portugal a vista!

"Amanhã toco a porta de vocês, às 7 horas, para tomarem o café no restaurante, está bem?" O aviso do camareiro no trem leito que nos levou de Madri a Lisboa, soou como música. Que bom poder ouvir e falar minha língua, depois de vários meses: Portugal a vista!


A Torre de Belém, um dos símbolos de Portugal, construida em 1517 para celebrar a conquista de outros territórios pelos portugueses - inclusive o Brasil.

******Chegar a Lisboa me proporcionou sensações inesperadas. Ainda no trem, voltei no tempo, me vi pequena. Depois, fiquei a imaginar o que meu pai sentiria, sabendo-me na terra do Vô Abel e a Lisboa que eles demonstravam amar tanto - mesmo sem conhecê-la, no caso do meu pai. Lembrei-me muito de Tia Izabel e seu carinho pelas "primas de Évora"...(será que conseguirei conhecê-las?), parte da família resgatada pelo tio Joáo e tia Deise na década de 70. Lembrei-me muito, ainda,  do meu pai cantando Coimbra" repleto de sentimentos. Ou me ensinando a cantar, bem criança que eu era, "é uma casa portuguesa com certeza...é com certeza uma casa portuguesa..."
Chegamos a Lisboa numa manhã limpa e ensolarada - "choveu até ontem mas teremos sol até segunda", profetizou o motorista de taxi. Ótima chance de explorar a cidade.  E logo me senti em casa: parte dessa cidade, parte dessa gente que começo a admirar pelo carinho e educação com que nos tratam e a calma que exprimem. Viva Lisboa!!!



Depois de algum tempo de descanso no hotel, pegamos o metrô mais próximo e fomos ao  Baixa-Chiado, a parte antiga que mais queríamos conhecer nesse primeiro dia. E, do alto do elevador de Santa Justa (abaixo) que liga o Xiado à outras ruas do centro, pudemos admirar Lisboa, com o Castelo de Sáo Jorge ao fundo de um lado (foto 1) ou voltada para o rio Tejo, a nossa frente. (foto 2)





Rua Augusta


A rua Augusta é uma das mais movimentadas do centro, nesse sábado à tarde...


                                                 ...e vai até o Arco que projeta as ruas do centro para a Praça do Comércio, em frente o Rio Tejo

Imenso, de perto o Rio Tejo parece um mar, com as águas a quase
 se perderem no horizonte...



...e nos devolve à bela vista da cidade, através do Arco e das galerias da rua da Alfândega


O bonde: imagem emblematica de Lisboa



O antigo Café A Brasileira, com sua fachada "art nouveau", é atração no Xiado, com a escultura de Fernando Pessoa a receber quem chega...

...e se senta para uma pequena pausa.


O sobe e desce constante...


















...e o rosa e amarelo que dão cor ao casario em várias partes de Lisboa.


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domingo, 2 de dezembro de 2012

Inesquecível Madri


 

Detalhe de fachada, no caminho ao Castelo

Os reis Juan Carlos e Sofia não são tão reverenciados na Espanha como os monarcas sáo em outros países. Mas o Palácio Real e o jardim à frente não se pode deixar de visitar. Até porque - surpresa que tivemos ali - turista não paga ingresso para visitar, além o belo páteo, as salas internas - com as maravilhas em porcelanas, obras de arte, tapeçarias, esculturas e decoração, que nos deixou boquiabertos. (E mostrou como, realmente, a monarquia investia no luxo excessivo, se distanciando cada vez mais do povo que os mantinha e suas necessidades).  Ali só nos foi cobrado ingresso para uma exposição, optativa, de Goya. Não podíamos deixar de ver (por 4 euros) obras famosas do mestre espanhol. E vimos também que Francisco Goya pintou muitos retratos dos membros da monarquia espanhola, à epoca de Carlos 3. e Luis de Bourbon - segunda metade do século 18. (Bom, pelo menos, mantinham pintores como Goya e acabavam contribuindo para o desenvolvimento da arte).





Ao lado do Castelo, soberana, a Catedral de Madri, com uma escultura belíssima de João Paulo II, emoldurada por canteiros de amor-perfeitos. Visitamos a igreja na melhor hora do dia, ao cair da tarde, momento máximo de reflexão




As ofertas culturais são muitas e constantes, a todo o tempo em Madri. Nessa nossa proposta de viagem, não deixamos espaço para espetáculos e shows, priorizando conhecer alguns museus, monumentos, mas principalmente o ritmo das pessoas nas cidades por onde passamos. Assim, não chegamos a fazer reservas - sempre necessárias - para teatros e casas de música. Quanto aos museus, mesmo que voce queira se limitar, em Madri, é impossível.Opções irrecusáveis estáo ali, tão perto e fácil que falta coragem para abrir mão.(O Museu do Prado e o Rainha Sofia, citar dois exemplos, ofercem acesso livre duas ou três horas no final do expediente) Acabamos visitanto muito mais museus do que pensávamos  - e dividir o resto do tempo entre algumas experiëncias gastronömicas e os passeios pelas avenidas que - estes sim, sempre nos encantam nessas cidades da Europa. Aqui, as ruas e as principais praças náo têm arvores, restritas aos belos e imensos parques. Mas as ruas sáo humanizadas com a presença, maciça, em todos os horários de pessoas, em quantidade muito grande! (Por sinal, uma dúvida: será esta a razão de as programações de TV serem tão fracas? Que continuem sendo!)


Assim, a continuidade de nossa visita ao Museu do Prado ficou para as últimas horas de nossa estadia em Madri. As gigantescas pinturas italianas do Renascimento, nas obras de Tintoretto e Tiziano, por exemplo, nos deixaram maravilhados. Não há palavras para descrever a beleza de uma pintura como a Criação da Via Láctea(Tiziano), A Maja Nua (Goya), Imperador Carlos V ( Tiziano), As Fiandeiras (Velasquez), entre muitas outras obras desses mestres além de Rembrandt, Rafael e Caravaggio, e tantos outros. Uma visia que teremos sempre na memória. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

O outro Botin

A mesa é sempre muito satisfatória em Madri, pois aqui, como em Barcelona, a comida é boa e os vinhos ainda mais, como costuma lembrar minha amiga Fernanda P. Difícil fugir das incontáveis taperias, que dominam também Barcelona. Mas, com alguma calma, encontra-se verdadeiras preciosidades. Assim é que nos vimos, dia desses, no Botin, registrado no Guinness Book como o primeiro restaurante do mundo, criado em 1725. "Vamos por trescientos años", sentenciou o garçom. E não resisti ao impulso de comentar com ele a semelhança do nome com o El Botin, do festejado Ferran Adriá e conhecer seu comentário sobre o chef famoso. "Es otro botin. Aca cozinha autentica castilian. Ferran és cozinha inovadora, criativa só". Sim, parece correto.



Desde 1725. Náo é sem razão que o Botin fica numa das ruas mais antigas de Madrid, atrás da Plaza Mayor, na Calle dos Cuchilleros - a mesma do mercado gourmet. Começou como hotel, passou por diferentes fases, mas nunca deixou de servir refeições, muitas delas saidas do forno mais famoso da cidade. Já havíamos feito nossa escolha, quando ficamos sabendo que tem um forno acionado com madeira de carvalho. E isso empresta um sabor único e excepcional aos pratos assados...
Após um caldo de alho e ovos para me ajudar a combater um desagradável resfriado, fomos ao prato principal. Num cardápio dividido entre as preparações com peixes e frutos do mar e outras com carnes de porco, cerdo(veado) e frango, optamos por um típico prato ibérico: Chipirons (pequenas lulas) en su tinta, con arroz blanco. Segundo o Ernesto, "foram as melhores lulas até hoje, pela textura perfeita e um  tempero delicioso" Concordo!.(Náo pude deixar de me lembrar da Regina  S. e da Rita C., em Santiago do Chile) 
Quanto aos vinhos...algumas vezes procuramos harmonizar, em outras nos lançamos à surpresa e pedimos o "da casa". Desta vez, foi nos servido um  excepcional Tempranilho, da Riojas. Uma noite que valeu a pena!


































Outra opção interessante, que merece destaque aqui pela relação custo-benefício, é o Restaurante La Catedral, entre a rua Las Canalejas e a Porta Do Sol, também na parte antiga de Madri. Tradicional e com decoração carregada no estilo art nouveau, nos chamou logo a atenção pela beleza de seu interior e por um menu e o preço especial que propunham. Decidimos experimentar - e foi uma das melhores experiências gastronômicas na cidade.
De entrada, entre ás várias opções com saladas, frios, caldos, optamos por um fideuá - que é a versáo com macarráo da paella. O prato servido foi além do esperado: além de camarões e lula com os pimentóes vermelhos, trazia também vieiras, num sabor delicioso. 



Como prato principal, da costumeira lista com opções em várias carnes, optamos pelo joelho de porco - ou codijillo - na tradicional pururuca depois do cozimento. Muito bem preparado e delicioso. Tudo acompanhado do vinho da casa, água, pães, café. O preço por pessoa, era tão somente 11 euros... (Não, náo é efeito de país em crise. Pelo menos a casa estava cheia e ao que se percebia, muitos clientes tradicionais, gente que trabalha naquela regiáo).


O La Catedral é uma dica que merece ser conferida nas proximidades da Porta Do Sol, assim como o Museo do Vino, outro restaurante visitado no dia seguinte e com excelente qualidade, preço e serviços. Detalhe: na Espanha - assim como na França -  náo se cobra qualquer porcentagem sobre o serviço. Mas as gorjetas, pelo menos na Espanha,
muitas vezes merecidas, sáo bem aceitas.


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Em Madri, arte que envolve


Arte Bizantina


O programa do dia era terminar a visita ao Museu do Prado no início da noite. Ao sairmos de manhã, o vento  e o frio, apesar do dia limpíssimo, nos impediu de caminhar pelas amplas avenidas de Madri, como havíamos planejado. Precisávamos nos abrigar em algum lugar. O Museu Thissen, ali pertinho foi a melhor opção - alternativa que acabou nos envolvendo, diante de um dos mais ricos acervos, incluindo desde obras italianas primitivas  - como a arte bizantina, belíssima - a medieval, pinturas holandesas, alemãs, flamengas. Mestres do impressionismo e expressionismo também estão ali, assim como belos exemplares do cubismo - inclusive de Picasso - e movimentos de vanguarda do século XX, até o Pop Art. Mas o que mais nos chamou a atenção mesmo foi a extensa coleção dos temas religiosos - arte bizantina dessas duas fotos  - de Giotto e seus seguidores, que tanto ja nos encantou em visitas a Galeria Ufizzi, em Florença.(Você se lembra Lívia?)




Assim, nossa visita de algumas horas acabou se extendendo até o meio da tarde. Lanchamos ali mesmo no restaurante do Museu - após ter visto uma mostra temporária de Gauguin - Gauguin e o Exótico - e não tivemos como deixar o Thissen antes de conhecer a maior parte do acervo, com obras primas magníficas.

À noitinha, a programa exigia uma passagem pela Atocha - a estação ferroviária para fazermos nossa reservas para Lisboa, na sexta-feira. Estar ali, no entanto, era impossível deixar de visitar o Museu Rainha Sofia, bem em frente, justamente onde se encontra o emblemático Guernica, de Pablo Picasso. Caminhamos muito pelo imenso museu, de arte e história, até chegar à imensa sala, a mais movimentada de todo o complexo. E ali, estávamos, frente à frente, com o grandioso Guernica:


Emocionante não só pelo tema, mas também pelas proporções - mede 3,50 x 7,80 m - é a expressão de Pablo Picasso diante da tragédia da pequena cidade de Guernica - antes capital basca - após um borbadeio durante a Guerra Civil Espanhola. Ele pintou o quadro em 1937, em preto e branco, com base nas fotos sobre a catástrofe. Grandioso em todos os sentidos, o painel foi exposto no espaço reservado à Espanha no pavilhão da Exposição Internacional de Paris naquele ano.
De Paris viajou por várias cidades do mundo até ficar em Nova Iorque, por determinação do próprio Picasso, que não queria ver sua obra, símbolo de resistência diante  das opressões, na Espanha sob a ditadura de Franco. Somente na década de 80, após a queda do franquismo, Guernica foi devolvido ao país. A comovente mensagem de Picasso nos envolve de tal forma, que o tempo parece pouco para se absorver todo o seu rico conteúdo em alguns minutos. Incrível como não conseguíamos tirar os olhos da obra e deixar a sala. (E, para mim, trouxe uma emoção muito especial, ao me fazer voltar à década de 70 quando, junto com minha querida irmã Tânia, aprendemos a admirar o intrigante Guernica num imenso painel do Dr. Rogerio Burnier, em Campinas).


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